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As bolhas são estruturas infláveis, sustentadas e estruturadas por uma fonte contínua de ventilação (de um ventilador comum a um exaustor industrial), feitas em materiais leves, como plásticos ou tecidos. Podem ser montadas em diferentes formatos, bastando que você consiga projetar e executar – o que pode ser feito com a ajuda de softwares e ferramentas diversas. Os métodos construtivos também são diversos e podem se encaixar no seu nível de habilidade com os materiais. Depois de prontas, podem ser utilizadas para os mais diversos fins… 

pra que

Você pode montar utilizar as bolhas para dar uma aula, fazer uma reunião, apresentar uma palestra, fazer um brainstorming… Ou ainda usar como um espaço de descanso e deleite, assistir um filme, expor produtos ou arte… Use sua bolha internamente para criar uma sala extra num espaço, ou externamente para fazer um espaço mais reservado no espaço público por alguns minutos, seja na rua, numa praça, num parque… Ou porque não fazer uma festa e juntar a turma para dançar dentro da sua bolha? As possibilidades são infinitas!

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Você pode usar sua bolha para diversos fins. Mas, apesar de ser aplicável em diversos contextos e espaços, alguns cuidados são importantes:

Fogo: sim, estamos falando de um espaço em que as paredes, teto e piso são de materiais inflamáveis. Nem todos propagam chama, como alguns tipos de lona, mas ainda assim não são resistentes ao fogo. Portanto cozinhar, fumar ou fazer pirotecnias não combinam muito com as bolhas. 

Vento: é uma bolha. Cheia de ar. Dependendo do volume, o vento pode acabar carregando a estrutura (e levando ela pra Oz) se não houver peso dentro dele ou estaqueamento. Galões de água, estacas no chão ou mesmo sacos de areia servem bem para amarrar a estrutura no chão. Falaremos sobre formas de amarrar mais a frente.

Oxigênio: alguns dos materiais utilizados na fabricação das bolhas são impermeáveis. O que é ótimo para manter a pressão interna mas péssimo para a circulação de oxigênio no espaço. Portanto, se for juntar muitas pessoas num espaço desse tipo, certifique-se de que a entrada de ar é suficiente não só para inflar o espaço, mas também para que o público respire. As bolhas são, por exemplo, ótimas pistas de dança. Mas com muita gente e pouca ventilação, pode virar uma festa perigosa.

Piso: A tração dos pés pode vir a rasgar o piso e fazer a bolha durar bem menos do que poderia. Posicionar uma lona por baixo da bolha, inflar a bolha em um gramado, utilizar tapetes, reforçar o piso com materiais mais resistentes, pedir para que o público tire os sapatos e outras estratégias podem fazer com que sua estrutura dure mais tempo. Mas isso depende muito mais de como o espaço vai ser utilizado e deve ser pensado caso a caso. 

Com isso em mente, montar a sua própria bolha é bem simples. Defina um formato, escolha um material, bote as mãos na massa com a técnica de sua preferência e, depois, é só ligar os ventiladores!

materiais

Qualquer plástico ou tecido pode funcionar. Plásticos costumam ser a forma mais simples de aprender a lidar com esse tipo de ambiente visto que, de forma geral, são leves e impermeáveis, o que facilita a inflar o espaço. Polietileno, ou plástico comum, pode ser encontrado em diferentes formas, espessuras e afins, desde sacolas de supermercados até lonas utilizadas na construção civil.

Esses dois exemplos servem bem para nossa finalidade. Por mais que optar pelas sacolas de supermercado pareça vantajoso, pela facilidade de acesso e custo (dá pra conseguir um monte de graça), abrir uma por uma para criar uma malha grande o suficiente para o inflável pode ser um trabalho árduo. As lonas, além de serem encontradas com facilidade em qualquer loja de material de construção, costumam vir em rolos com quatro metros de largura, o que facilita bastante a produção de uma estrutura inteira. É possível, ainda, encontrá-las em diferentes espessuras. É bom não optar nem pela mais fina nem pela mais grossa, para ter um equilíbrio entre resistência e peso. Ah! E embora a primeira imagem que venha a nossa mente seja a lona preta, é fácil conseguir em outras cores como branco, amarelo e transparente.

Tecidos sintéticos também funcionam bem (afinal de contas, no fim é tudo meio ‘plástico’). Em lojas de tecidos especiais existe uma grande variedade de tipos de nylon e poliéster. Os resinados são mais impermeáveis e podem ser soldados ao invés de costurados, enquanto os comuns são mais leves. Mais uma vez, a escolha ser tomada visando o objetivo do espaço.

Uma grande vantagem do nylon branco é a capacidade de receber projeções. Se seu objetivo é uma palestra ou exibir um filme, o nylon pode ser uma opção mais acertada. Alguns desses materiais, inclusive, são translúcidos o suficiente para servir como anteparo para a projeção, permitindo utilizar a imagem invertida pelo lado de fora, descartando o aparelho projetor do lado de dentro e criando ambiências interessantes.

Tecidos mais pesados, como malhas, podem também ser utilizadas em infláveis. Nesse caso, é importante levar em consideração que, além do peso do material ser maior, eles são permeáveis. Portanto, é necessário uma vazão de ar muito alta para manter a estrutura estável.

formatos

Para desenhar o seu inflável, o segredo é lembrar daquelas aulas de geometria espacial planificada. Se você costumava dormir nas aulas de matemática do ensino médio, tudo bem, a gente te relembra alguns modelos. Mas um google rápido em “cubo planificado”, “cilindro planificado”, “cone planificado” e afins resolve com informações básicas.

Aqui no site, inclusive, temos alguns modelos/projetos prontinhos pra você fazer (e a idéia é ir atualizando sempre). Agora, você pode ir um pouco além e tentar projetar formas diferentes. Lembre-se apenas que os materiais inflados não respeitam muito bem o plano cartesiano, então é bem comum você desenhar um paralelepípedo e acabar com algo mais parecido com… uma bolha. Então, formas mais complexas são possíveis – e com o auxílio de softwares você pode fazer um inflável em qualquer formato – mas é bom manter em mente que tudo vai ficar um pouco arredondado.

Além do espaço a ser inflado, é importante criar um tubo, que vai da boca do ventilador até o espaço. É o caminho do ar, portanto não pode ter impedimentos. Uma curva mal feita e nada vai acontecer! Portanto, dê preferências a tubos retos e não muito longos, apenas o suficiente para não deixar o ambiente totalmente preso ao ventilador (gosto de 1,5m, independente do inflável). Vale lembrar também de que os ventiladores precisam puxar o vento de algum lugar, então mantenha os fundos deles livres e longe das paredes.

técnicas

Depois de escolhido o material e feito o projeto, partimos pra parte trabalhosa: montar o danado. Se você optou pelos tecidos, o negócio é começar a costurar. Ou colocar nas mãos de alguém que saiba costurar (não se iluda, costurar é mais difícil do que parece). 

Mas imaginando que você está fazendo o seu próprio inflável de plástico, você tem duas opções de técnica construtiva:

– Soldar o plástico
Você vai precisar sobrepor as peças de plástico (portanto, conte com uma aba a mais na hora de projetar) e esquenta-las juntas para soldar. O meio mais fácil? Ferro de passar roupa.

Sim, coloque uma das peças de plástico sobre a outra imaginando que a solda terá a largura do ferro de passar roupas (cerca de 10cm). Posicione uma folha de papel manteiga sobre o espaço a ser soldado. A verdade é que qualquer papel serve, visto que a função dele é só não deixar que o plástico entre em contato direto com o ferro quente e fique grudado. Mas o manteiga vem em folhas grandes e te deixa ver o que está acontecendo em baixo, o que ajuda um bocado.

Passe o ferro bem quente sobre o papel. Retire o ferro. Retire o papel. Observe o resultado. Grudou direitinho? Ótimo! Repita o processo e divirta-se. Lembre-se de que os pontos mais frágeis dos infláveis são as emendas, portanto evite deixar falhas ou buracos.

– Fita adesiva
É, aquela fita adesiva plástica, mais larga, que você só usou pra fechar caixas em alguma mudança, servem bem pra montar seu inflável. A parte boa, é que não há perda de material nas emendas ou a necessidade de se criar abas. Junte as peças lado a lado e passe a fita. nos encontros de mais de uma peça, sobreponha as fitas adesivas.

Um truque para deixar a fita adesiva ainda mais presa ao inflável é passar um soprador térmico (ou aquele secador de cabelo BEM quente) em cima da fita. Isso melhora o acabamento, acaba com as bolhas e com as beiradinhas aparentes, melhorando o acabamento e a durabilidade.

Essa opção aumenta um pouco o peso da peça final, mas nada tão preocupante.

oficinas e workshops

Se as imagens e os textos até aqui não foram o suficiente, você pode participar de uma das oficinas de estruturas infláveis, promovidas de tempos em tempos. Na oficina são testados diferentes tipos de materiais e técnicas e são executados dois modelos de infláveis em 3 horas de workshop.

Saiba mais.

alguns modelos pra você baixar e construir!

marque sua foto com a hashtag #suabolha

Oi, eu sou o Ricardo Bizafra. Venho, desde 2007, pesquisando e desenvolvendo estruturas e ambientes infláveis. Ao longo dos anos, desenvolvi melhores materiais, técnicas e usos destas estruturas. Já desenvolvi e montei infláveis em eventos como Festival Conexão, Virada Cultural de Belo Horizonte, Noite Branca Belo Horizonte, Mostra de Design entre outros, além de ensinar como montá-los em oficinas práticas por aí. Em 2016 fui selecionado no programa de residência maker Red Bull Basement, que escolheu 05 projetos para hackear os espaços urbanos, propondo o uso de salas infláveis para aulas, reuniões e outros encontros. Durante este programa pesquisei mais a fundo referências, técnicas, materiais e afins. (Saiba mais sobre a pesquisa aqui). Você pode entrar em contato comigo para falar de bolhas no bolha@bizafra.com.br !

Este site é resultado da Segunda Residência Hacker Red Bull Basement, que ocorreu entre 06 de agosto e 07 de outubro de 2016 no Red Bull Station, São Paulo – SP, pelo residente Ricardo Bizafra. 

Projeto gráfico e diagramação por Tiago Gamaliel.

Lettering e ilustrações por Pil Ambrósio.